João Donato, Tulipa Ruiz, Romulo Fróes, Mariana Aydar e Luisa Maita. Os convidados do multifacetado Mihay são um reflexo de sua trajetória profissional até hoje, e trilham o caminho de “Gravador e Amor”, segundo disco do cantor, compositor e videomaker.
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RELEASE GRAVADOR E AMOR – MIHAY

Por Leonardo Lichote

Um álbum de fotografias de folhas soltas, uma caixa de rolos super-8 com etiquetas com anotações à mão (“andar descalço, chão no pé” com caneta vermelha, “seu guarda-chuva vermelho” escrito a lápis), slides projetados na parede da sala de casa entre a estante da televisão e a janela. É esse o universo no qual trafega “Gravador e amor”, segundo disco do compositor Mihay. Um universo de imagens carregadas de calor analógico, íntimo, da memória como algo vivo, tateável.
A canção “Tontos” sintetiza, de várias perspectivas, esse espírito. Um espírito que está em seus versos — a dubiedade do verbo “revelar” em “Aquela foto que fiz do tempo que a gente era feliz/ Fotografei, não sei qual foi o mês/ Te revelei, você me revelou”, ou a escolha do físico sobre a frieza digital em “Fotografei, imprimi, não postei”. E está também na música — cliques de máquina fotográfica criam um ritmo próprio e irregular atravessando o violão de Mihay. É do tempo e de seus registros (palpáveis ou etéreos na memória) que o compositor trata em seu disco.
— O nome do disco já expõe isso, “Gravador e amor” — explica o compositor, chamando a atenção para a palavra “dor” guardada em “gravador”. — Pensei muito na ideia de um arquivo, um lugar de gravar a dor e o amor. Desde a infância vamos registrando imagens na mente, que ficam como marcas. O cachorro, a varanda. Essas imagens são registradas no corpo em camadas, umas se sobrepondo às outras, conforme o tempo passa.
A carga imagética do álbum — que serpenteia entre blues, sambas, boleros — não é um acaso. Ela brota da própria relação de Mihay com a imagem. Suas fotos guiam o projeto gráfico do álbum, uma identidade visual que se estende aos clipes de “Memória de elefante”, “Nem tudo” e “Tontos”, todos dirigidos por ele. Sua assinatura também está em clipes de Mariana Aydar, Chico César e Romulo Fróes. A imagem é seu ofício — porém, mais que esse caráter de frieza “profissional”, ela vem embebida do calor do passado, do vivido, como em todas as canções do disco.
— Minha avó tinha uma ilha de edição, com 11, 12 anos eu editava vídeos. Fotografava bandas de amigos — lembra Mihay. — Sou formado em artes cênicas e cursei cinema, trabalhei 15 anos com teatro. A música sempre ficou num lugar de prazer. As bandas Facamolada e Zé Godard, que tive na época da faculdade só me trouxeram alegria mas meu ofício mesmo era o teatro, o vídeo. Mais tarde a música tomou uma outra proporção e realidade na minha vida.
“Gravador e amor” começou a nascer exatamente desse prazer. Numa das muitas visitas à casa do amigo e vizinho João Donato, envolvidas em música e papo madrugada adentro, eles compuseram “Noite clara” — gravada no disco com participação do pianista, além da voz de Tulipa Ruiz e da percussão de Robertinho Silva, num álbum recheado de convidados especiais como Romulo Fróes, Mariana Aydar, Marcelo Callado, Luisa Maita, Alberto Continentino, Robertinho Silva e Kassin. Isso foi há três anos — a parceria com Donato se estendeu a outras canções e a shows como os da turnê de 80 anos do mestre, filmando e participando como cantor. Registro e vida, som e imagem — o diálogo que escorre no álbum. E que aparece claramente em “Papapapa”, outra canção fundadora do disco, da mesma época (“Você de avental/ Pintando a casa por inteira/ A nossa cozinha/ O velho portão/ Pintando a geladeira/ Aquela cadeira/ O pé do fogão”, numa descrição quase roteiro de cinema)
O álbum começou a ganhar sua forma — uma leveza onírica, lisérgica, que atravessa gêneros ora carregando no humor, ora no drama, mas sempre leve — em 2015, quando se formou o núcleo Gabriel Muzak (produção musical e guitarra), Robson Riva (bateria), Sandro Lustosa (percussão e efeitos), Guila (baixo) e Pedro Selector (trompete, violão e teclados). Músicos que tocam com artistas como BNegão e Lenine — dois exemplos apenas para ilustrar o quanto de vigor e inventividade estão investidos nos arranjos, feitos calmamente, no tempo analógico do tempo.
A sonoridade contemporânea do álbum dialoga diretamente com o a atual produção de São Paulo, de artistas que participam do disco ou não, como Gui Amabis, Romulo Fróes, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, Luisa Maita, Passo Torto — nomes citados pelo próprio Mihay. Mas livres da angústia presente nessa cena — ou ao menos buscando um olhar terno sobre ela. Como em “Desafinador do mundo”, samba antigo-novo que parte da imagem forte (sempre a imagem) de um homem comendo lixo, ao mesmo tempo vista com crueza e poesia (ao tratá-lo como “desafinador do mundo”). Ou “Tontos”, que trata de separações (“Aquele frame de nós dois/ Segundo que ficou para depois/ E nós dois fomos ficando tontos demais”, na canção atravessada pelos já citados cliques e por guitarras cinematográficas, que evocam Ry Cooder e Ennio Morricone).
A forma como Mihay — em onze canções inéditas suas, só ou com parceiros — nos conduz por seu álbum é essa. A vulgaridade de canção de amor de baile com versos como “Amar é a coisa mais linda que alguém pode fazer” (“Amor love, amor”). A sinuosidade moura de “Nem tudo”. O dub-do-grande-amor de “Seu direito”. O blues que, em vez de lamento, é celebração da beleza — e, numa camada abaixo, do pavor — da entrega (“Vice-versa”). O presente marcado numa moda de viola urbana (“Pequena gota”). A fanfarrônica “Chiclete no sapato”. O derretimento lisérgico de “Memória de elefante”, outra que carrega em si a essência do álbum, na lembrança como matéria prima do sonho. Enfim, traduções sonoras de álbuns de fotografia, caixas de super-8 e projeções de slides. De Mihay e nossos.

FOTOS

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MIHAY - gravador e amor

João Donato, Tulipa Ruiz, Romulo Fróes, Mariana Aydar e Luisa Maita. Os convidados do multifacetado Mihay são um reflexo de sua trajetória profissional até hoje, e trilham o caminho de “Gravador e Amor”, segundo disco do cantor, compositor e videomaker. São 11 faixas com produção e direção musical de Gabriel Muzak, que também está nas guitarras, baixo, percussão, programação e synths. O resto da banda é formada por Robson Riva na bateria, Pedro Selector no baixo, Sandro Lustosa na percussão e efeitos , Francisco Sarttori nos teclado e piano. O disco ainda conta com a participação de Kassin em  “Memória de Elefante” e “Vice-versa” e com Marcelo Callado em “Chiclete no Sapato”.

A música é um mundo do qual Mihay sempre fez parte, mas circulando por outros meios. Com João Donato, excursionou pela Europa, e além de registrar a turnê, dividiram o palco na Rússia, Portugal, Suíça e França, além de participar como cantor de dois discos do pianista: “O Bicho Tá Pegando!”, e o ainda não lançado “Ao Vivo no Beco das Garrafas”. Sua parceria com Mariana Aydar vem da direção do clipe duplo de “Samba Triste” e “Saiba Ficar Quieto”, último trabalho lançado pela cantora, cujas fotos da capa e encarte do disco também foram de autoria de Mihay. Ele também assinou o clipe de “Barulho Feio”, de Romulo Fróes, de onde nasceu a parceria com o paulistano; é amigo de Tulipa Ruiz de longa data e instantaneamente encantou-se com Luisa Maita quando subiram ao palco do Circo Voador juntos, para o show de comemoração dos 80 anos de João Donato.

O projeto também vai contar com videoclipes para algumas faixas do disco, juntando os dois mundos do artista, que assina a direção de arte todos os trabalhos. A primeira estreia é  “Nem Tudo”, na qual Mihay divide os vocais com Luisa Maita, e conta com a participação da atriz Karine Barros.

Mihay é carioca, com formação em teatro, cursou cinema, trabalha como diretor de fotografia e editor, e recentemente dirigiu clipes de Elba Ramalho e Chico César, com previsão de lançamento ainda esse ano.

Suas primeiras influências vieram lá de trás, com o também multifacetado Sérgio Ricardo, com quem conviveu por 6 anos devido a um relacionamento com sua mãe, Ana. Na família também ganhou a inspiração vinda de seu tio Pedro Mourão, do grupo Rumo, e de seu avô húngaro Mihay, de quem herdou o nome, que era pintor, compositor e violinista. Do mundo do lado de fora, a Tropicália e seus símbolos – Tom Zé, Mutantes, Torquato Neto – e artistas como Vitor Rammil, Gui Amabis e Lucas Santtana fazem parte do cancioneiro que o inspira.

Seu primeiro disco, “Respiramundo”, foi lançado em 2011, e em 2012 apresentou o trabalho em shows na Holanda. Nos anos seguintes, também fez shows nos festivais “Brazil Sensacional” em Paris, “El Planet” em Braga, e “Jam Session” em Montreux.

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Ficha Técnica

Produção Musical: Gabriel Muzak

Direção de Arte: Mihay

Arranjos: Gabriel Muzak, exceto na faixa “Noite Clara” (arranjo: João Donato)

Arranjos de metais: Ricardo Pontes

Músicos: Robson Riva (bateria) Sandro Lustosa (percussão e efeitos), Gabriel Muzak(guitarra), Pedro Selector (baixo), Franscisco Sartori (piano e teclados) José Arimateia(trompete) Jhonson de Almeida (trombone) Ricardo Pontes (sax e flauta)

Participações especiais: Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, João Donato, Robertinho Silva, Rômulo Fróes, Kassin, Alberto Continentino e Marcelo Callado.

Mixado por: Gabriel Muzak

Masterizado por: Gabriel Muzak

Arte gráfica e layout: Mihay

Fotos da capa e encarte: Mihay

Assistente de fotografia: Bernardo Jones

Direção de produção: Casa de Fulô Produções

Produção executiva: Anamaria Rigotto

Assistente de produção: Ismael Fagundes

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